Aqui em Recife, a minha família é restrita aos que moram comigo, pois meus irmãos Ricardo Bravo mora no Amapá e José Fernandes Bravo mora em Goiás. Na primeira parte de post, vou relatar a reação dos filhos ao problema de Neide.
Débora, a filha mais velha, foi a primeira pessoa que liguei quando recebi o resultado inicial do câncer de Neide. Ela sempre mostrou confiança que a mãe ia se curar, e nos momentos mais difíceis da quimioterapia, ajudava Neide massageando as pernas durante as crises de dor. Em virtude das aplicações das quimios serem as 5.as feiras, e devido ao trabalho, ela não acompanhou Neide nas aplicações, sempre ligando durante a aplicação.
Gabriela, a filha do meio, como tinha um horário mais flexível de trabalho por ser advogada, participou de várias aplicações da quimio e quando não podia ir, ligava a todo momento. Em casa deu um apoio imenso a mãe. Quando a Sul América complicou uma aplicação, Gaby resolveu em poucos minutos o problema, e a quimio foi aplicada normalmente. É bom ter uma filha advogada nesse momento.
Carlinhos, o filho mais novo, foi o que participou de TODAS as aplicações da quimio, enfrentando as reações adversas das drogas durante as seções. Toda vez Neide passava mal, com palpitações, congestão respiratória, etc, e Carlinhos SEMPRE ao lado dela, dando o apoio que ela necessitava. Como ele não trabalhava, ficava sempre a disposição nos horários mais difíceis. Verdadeiramente Carlinhos é o único que sabe o que é uma seção de quimioterapia.
Minha mãe mora comigo e tem 81 anos e continua ativa e bem lúcida, ou melhor, lúcida "demais". Para a geração dela a palavra "câncer" significa morte, e ela as vezes aparecia com uns comentários de derrota perante a doença, que nós filtrávamos e Neide nem percebia.Hoje ela percebeu que o câncer pode ser curado, e incorporou a ideia que a doença pode ser vencida.
A minha secretária Lili, trabalha em minha casa a mais de 5 anos, e nunca deixou de dar todo o apoio que estava no seu limite, confortando Neide nos momentos de isolamento no quarto.
A minha participação na doença de Neide eu já relatei em vários posts anteriores, e tenho certeza que fiz tudo que podia ser feito para minimizar o sofrimento de minha grande e única paixão que tenho nesta vida, que é Neide Bravo. Foi muito, muito difícil ver Neide passar por tantas transformações físicas e psíquicas, vendo uma luta diária para se manter ativa, e ela entendendo que eu precisava trabalhar, pois as aulas não esperam. As minhas idas para o IFPE em Belo Jardim eram estimuladas por ela, pois as minhas obrigações profissionais não podiam parar. Neide lutou por esta cura e ela é a maior vencedora.
Porém o grande responsável pela vitalidade de Neide neste tratamento eu ainda não falei. Ele é uma grande PAIXÃO dela, e sempre ficou ao seu lado, sem nunca reclamar e sendo nos momentos mais difíceis o "olcadil", o "lexotan", o "diazepam", o "prozac" que ELA NUNCA TOMOU. Estou me referindo ao meu grande companheiro BONO, que alguns dizem que ele é um cachorro, porém para Mim e Neide ele é algo entre cachorro e ser humano, sendo mais para ser humano. Para Neide, BONO é o filho caçula pequeno, que tem hora para comer, dia para tomar banho, etc, etc. Com todas as dores musculares e ósseas que ela passava, ela se levantava e ia preparar a comida dele, ou levar para a PetShop no dia do banho, e ficava esperando. Ele sentiu tanto que Neide não estava normal, que quando da volta para casa de uma das internações dela, ele ficava um ou dois dias com "raiva" da ausência e não queria aproximação. Neide chegou até a chorar com essa atitude dele, porém "eu acho" que na cabeça dele Neide tinha saído e abandonado ele. Se eu tivesse que eleger os grandes responsáveis pelo astral positivo de Neide, BONO e Carlinhos, nesta ordem, seriam eleitos.
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