domingo, 4 de dezembro de 2011

A Recuperação

Estava meio afastado do Blog, pois esperava o momento certo para explicar o processo de recuperação de Neide, após o término da Quimioterapia e Radioterapia.
A radioterapia é muito tranquila, principalmente se comparada com o caos da quimioterapia. Tirando o inconveniente de ir 40 dias seguidos ao Hospital Português, Neide não teve nenhuma reação ao tratamento.
A primeira saída sem lenço, ocorreu de forma inesperada, Na sexta 29/07/2011 o cabelo já estava com 1cm, e já tinha recebido a primeira pintura, e resolvemos sair para o Boteco. Ao chegar no elevador ela percebeu que estava sem lenço, e assumiu que ia sair assim mesmo. Ao chegar no Boteco, encontramos Débora, que tomou um susto com Neide sem lenço, e a partir deste dia, o LENÇO JÁ ERA. Até um corte no cabelo com Bel, seu eterno assessor de beleza, ela fez.
De julho até hoje, 04 de dezembro a recuperação de Neide é fantástica. Ela recuperou a autoestima totalmente, voltando a ser o que sempre foi. Sempre arrumada e vaidosa, e cada vez mais Bonita.
No final de novembro ela pediu para ir no Morro da Conceição, na igreja de Nossa Senhora da Conceição. Ao chegar lá, ela teve seu tempo de conversa com o SUPERIOR. Deixei ela sozinha e me afastei para ela agradecer sua recuperação.
Neste período de recuperação ela sentiu muita falta de Gabriela, que se encontra no Canadá. Apesar de Gaby ligar todo dia, Neide reclamou muito da sua falta, principalmente pelo fato de Gaby ter viajado no final da quimioterapia no mês de maio e início da radio em junho.. Porém ela já entendeu que a viagem vai ser fundamental no amadurecimento de Gabriela, e já está ansiosa pela volta dela em Janeiro/2012. Quando ela chegar, elas resolvem.
Alguns "amigos" desapareceram por completo, e em certo ponto isto é positivo, pois vamos DELETAR os fracos de espírito. Neste grupo incluo vários professores e diretores do Colégio Contato (que ainda não resolveram minha situação trabalhista) , onde convivemos durante 20 anos até junho/2010 e frequentaram e beberam muito em minha casa, e raramente eu na deles.
Não necessito citar nomes ( eu acho que ainda vou citar), pois cada um é responsável pelos seus atos .
Muitos ligaram, mandaram e mandam mensagens de incentivo. Já citei em um post anterior os verdadeiros amigos. O importante é valorizar os verdadeiros amigos que não abandonaram o barco nunca e ainda hoje continuam sempre presentes.Usando uma frase publicada por Roberta Moraes :  E quanto aos amigos.... ah.... "que sejam poucos, que sejam loucos, mas que sejam  VERDADEIROS!  
É IMPORTANTE LEMBRAR QUE ESTE BLOG É MINHA VERSÃO.
Bono continua sempre importante, pois ele anima a vida de Neide.
É isso aí. Chegamos em Dezembro e tudo continua melhorando.

domingo, 24 de julho de 2011

O câncer e a queda do cabelo

Para explicar o pq da queda do cabelo, é importante saber o que é uma célula cancerígena. A célula cancerígena e uma célula jovem, com alto poder de divisão celular, que se forma por um erro na divisão de uma célula normal, formando um tecido que não existia no organismo. Como o organismo "demora" um tempo para detectar este novo agrupamento celular, ele pode crescer e formar um nódulo ou tumor, podendo invadir outros órgãos, dando origem as metástases. Quando mais precoce for o diagnóstico, menores são as chances de metástases, o que aumenta as chances de cura. O tumor de Neide tinha menos de 1cm de diâmetro, e como foi descoberto precocemente, as chances de cura são grandes.
Qual o motivo da queda do cabelo ? A quimioterapia atua impedindo a divisão celular das células cancerígenas. No começo deste post eu disse que as células do tumor tinham grande capacidade de divisão celular. Logo as drogas da quimio impedem a divisão rápida desta células, provocando sua destruição. Acontece que no corpo humano, existem outras células sadias que apresentam grande capacidade de divisão celular, como as células dos CABELO, PELOS, MUCOSAS , ETC. Logo a quimioterapia mata todas as células de divisão celular rápida: As cancerígenas e as sadias, ocorrendo desta maneira a NÃO DIVISÃO das células dos cabelos, pelos, mucosas, etc, provocando a sua queda. Entenderam ? A quimio também ataca as células do sangue (Leucócitos, Plaquetas e Hemácias) que também apresentam divisão celular rápida, provocando a morte dos leucócitos e queda da imunidade dos pacientes que fazem quimiterapia.
Quando necessário e quase sempre é necessário, usa-se GRANULOKINE, que é uma droga que aumenta a imunidade, sendo utilizados 5 ampolas em 5 dias consecutivos. Cada ampola custa em média R$ 550,00 e Neide tomou 25 doses.

O segundo ciclo da quimioterapia

Após as 4 primeiras doses da quimio que terminaram em dezembro, pensava que a partir de agora tudo seria mais fácil e que este 2.o ciclo de 4 doses novamente seriam tirados de letra por ela, pois o organismo já  "estava acostumado". OUTRO ENGANO NO TRATAMENTO. A nova droga chamada TAXOTERE oferece efeitos bem maiores que a anterior, pois apareceu um DOR INTENSA NAS PERNAS E BRAÇOS, impedindo Neide de ANDAR, LEVANTAR, SAIR DO QUARTO. Estas dores duravam até 10 dias após a aplicação, e quando começavam a desaparecer já estava na época da outra quimio (15 em 15 dias). Foram passados vários remédios para essas dores e nada de melhorar, até que perto da última aplicação o filho de Fernanda Cordeiro, Dr.Eriberto Júnior, que também é oncologista, perguntou por qual motivo Neide não estava tomando morfina. Falei com o médico dela (Dr. Romildo) e ele passou a medicação e as dores foram bem menores. Isto leva a um questionamento no comportamento dos médicos em geral : SE ELES SABEM COMO DIMINUIR O SOFRIMENTO, PQ ESPERAM TANTO PARA TOMAR UMA ATITUDE. Dr. Romildo me deve essa.
Nos próximos posts vou falar da queda do cabelo e dos internamentos. Aguardem.

A reação da Família

Aqui em Recife, a minha família é restrita aos que moram comigo, pois meus irmãos Ricardo Bravo mora no Amapá e José Fernandes Bravo mora em Goiás. Na primeira parte de post, vou relatar a reação dos filhos ao problema de Neide.
Débora, a filha mais velha, foi a primeira pessoa que liguei quando recebi o resultado inicial do câncer de Neide. Ela sempre mostrou confiança que a mãe ia se curar, e nos momentos mais difíceis da quimioterapia, ajudava Neide massageando as pernas durante as crises de dor. Em virtude  das aplicações das quimios serem as 5.as  feiras, e devido ao trabalho, ela não acompanhou Neide nas aplicações, sempre ligando durante a aplicação.
Gabriela, a filha do meio, como tinha um horário mais flexível de trabalho por ser advogada, participou de várias aplicações da quimio e quando não podia ir, ligava a todo momento. Em casa deu um apoio imenso a mãe. Quando a Sul América complicou uma aplicação, Gaby resolveu em poucos minutos o problema, e a quimio foi aplicada normalmente. É bom ter uma filha advogada nesse momento.
Carlinhos, o filho mais novo, foi o que participou de TODAS as aplicações da quimio, enfrentando as reações adversas das drogas durante as seções. Toda vez  Neide passava mal, com palpitações, congestão respiratória, etc, e Carlinhos SEMPRE ao lado dela, dando o apoio que ela necessitava. Como ele não trabalhava, ficava sempre a disposição nos horários mais difíceis. Verdadeiramente Carlinhos é o único que sabe o que é uma seção de quimioterapia.
Minha mãe mora comigo e tem 81 anos e continua ativa e bem lúcida, ou melhor, lúcida "demais". Para a geração dela a palavra "câncer" significa morte, e ela as vezes aparecia com uns comentários de derrota perante a doença, que nós filtrávamos e Neide nem percebia.Hoje ela percebeu que o câncer pode ser curado, e incorporou a ideia que a doença pode ser vencida.
A minha secretária Lili, trabalha em minha casa a mais de 5 anos, e nunca deixou de dar todo o apoio que estava no seu limite, confortando Neide nos momentos de isolamento no quarto.
A minha participação na doença de Neide eu já relatei em vários posts anteriores, e tenho certeza que fiz tudo que podia ser feito para minimizar o sofrimento de minha grande e única paixão que tenho nesta vida, que é Neide Bravo. Foi muito, muito difícil ver Neide passar por tantas transformações físicas e psíquicas, vendo uma luta diária para se manter ativa, e ela entendendo que eu precisava trabalhar, pois as aulas não esperam. As minhas idas para o IFPE em Belo Jardim eram estimuladas por ela, pois as minhas obrigações profissionais não podiam parar. Neide lutou por esta cura e ela é a maior vencedora.
Porém o grande responsável pela vitalidade de Neide neste tratamento eu ainda não falei. Ele é uma grande PAIXÃO dela, e sempre ficou ao seu lado, sem nunca reclamar e sendo nos momentos mais difíceis o "olcadil", o "lexotan", o "diazepam", o "prozac" que ELA NUNCA TOMOU. Estou me referindo ao meu grande companheiro BONO, que alguns dizem que ele é um cachorro, porém para Mim e Neide ele é algo entre cachorro e ser humano, sendo mais para ser humano. Para Neide, BONO é o filho caçula pequeno, que tem hora para  comer, dia para tomar banho, etc, etc. Com todas as dores musculares e ósseas que ela passava, ela se levantava e ia preparar a comida dele, ou levar para a PetShop no dia do banho, e ficava esperando. Ele sentiu tanto que Neide não estava normal, que quando da volta para casa de uma das internações dela, ele ficava um ou dois dias com "raiva" da ausência e não queria aproximação. Neide chegou até a chorar com essa atitude dele, porém "eu acho" que na cabeça dele Neide tinha saído e abandonado ele. Se eu tivesse que eleger os grandes responsáveis pelo astral positivo de Neide, BONO e Carlinhos, nesta ordem, seriam eleitos.

domingo, 26 de junho de 2011

A Reação dos "Amigos" , conhecidos e desconhecidos.

Isto merece muita reflexão e ainda hoje estou tirando algumas conclusões. Como o tratamento é longo e cai na banalidade, a maioria acha q tá tudo bem e aos poucos vão sumindo.
Eu acho que alguns se afastam por preconceito da doença. Eu também acho que alguns tem medo de pegar alguma coisa, e NÃO ESTOU TIRANDO ONDA. O fato de Neide ter perdido o cabelo também afasta as pessoas (depois explico pq o cabelo cai). Ligações para sair, jantar, conversar vão desaparecendo. E o pior. Quando liga, vem com aquela frase : EU NÃO LIGUEI POIS ACHAVA QUE VC NÃO PODIA SAIR. Isso fazia muita mal para ela.
Alguns que se diziam grandes amigos, na verdade NUNCA foram amigos. Alguns conhecidos fazem tudo para se aproximar neste momento tão difícil e ajudam muito. Alguns desconhecidos, se tornam grandes amigos, como os colegas do IF Belo Jardim. Nunca tinham frequentado minha casa, nunca abusaram da hospitalidade de Neide, nunca beberam ou jantaram comigo e Neide e foram muito mais que amigos. Me refiro a Eduardo, Marcos Lima e Lucimarcos ou melhor xingling. NUNCA deixaram de perguntar e dar apoio ao tratamento da PRIMEIRA DAMA (É assim que eles chamam Neide). Eduardo sabe o quanto vc ajudou.
No IFPE Campus Belo Jardim algumas pessoas sempre perguntaram e deram apoio neste momento tão difícil. Carlos Brasiliano, Juraci, Fábia, Alda, Leidiane, Evandro,.... sempre deram apoio e uma palavra de conforto. André e Jéssica também foram importantes.
Nos piores momentos (as internações que ainda vou detalhar) poucos ligavam e o pior , prometiam uma visita q nunca aconteceu.
Os amigos de Carlinhos foram fundamentais . João Rabelo, Tomaz, Marcelo, Caio e Aril sempre levaram alegria para Neide. Tanto no hospital como em Gravatá.
Sinto tb um carinho especial do Prof. João Santana (geografia) que só tive o prazer de conhecer pessoalmente este ano. Nunca deixou de dar apoio,  bem como Prof. Flávio, Andréa, Janaína, Bóris, Giogio e Arnaldo. Mariana e Célia do anglo são muito especiais, pois entenderam e ajudaram quando necessitei de algum apoio.. No divino tenho recebido o apoio de vários colegas. Não posso deixar de citar Marcinho,   Ângela e Lala que sempre entenderam o meu momento.
Não posso esquecer o AMIGO Beraldo, q sempre dá apoio e atenção. A prof. Sandra também sempre pergunta da melhora de Neide .
Rômulo e Albany ligavam sempre, e o que é melhor, insistindo e convidando para ela sair de casa. Eles não tiveram receio em sair com Neide. Algumas vezes aceitou e em outras as condições física não permitiam. Oliveira e Suerda também foram de grande ajuda.
Renata, Eliane, Cléa, Graça,Cremildo e Nivaldo do Contato Centro sempre perguntando e incentivando neste momento tão difícil.
Não posso esquecer as amigas de Neide  do salão de Mengla, aqui em frente de casa. Pra quem possa achar estranho, Neide continuou frequentando o salão toda sexta feira, ao lado da sua AMIGA Solange. Fazia as unhas, porém passava a tarde toda e chegava sorrindo em casa. O salão fez e faz muito bem a Neide. As conversas, as brincadeiras, o desabafo..... Neide espera sempre a sexta feira.
Recebo muitas mensagens de apoio pelo facebook, twitter, etc.  Vários alunos dando apoio e incentivo. Alguns colegas tb (Fernada Bérgamo é um bom exemplo. Sempre uma frase de carinho).
Alguns """""amigos""""" da fase do Jonny Blue, do Royal Salute, dos jantares em minha casa, aniversários que duravam uma noite inteira, NUNCA LIGARAM.
Este desabafo faz parte de algumas mágoas que necessitam serem curadas. Vocês devem estar sentido falta da FAMÍLIA BRAVO neste post, porém eles vão ter um só deles.

O início da quimio

Após o resultado tão agressivo do tumor, ficamos na expectativa da primeira quimio. Na véspera da primeira dose Neide ficou gripada e no íntimo fiquei feliz, pois achava que não poderia ser feita a quimio. Eu estava tentando fugir de uma realidade inevitável. Eu estava tão certo do adiamento, que não tinha ido ao médico. Mandei Carlinhos acompanhar Neide. Ao chegar em Dr. Romildo ele foi logo dizendo que a gripe não era problema, e a quimio seria feita. Carlinhos liga e vou para a Onkos (Clínica onde aplicada as quimios) que fica perto do Clube Internacional.
É uma sensação estranha saber que aquela droga devastadora é fundamental no processo de cura. Nas 4 primeiras aplicações é dada uma droga vermelha associada a várias outras, principalmente remédios para enjoo e corticóides. Todas as aplicações seriam dia de 5.a feira, seguindo um intervalo de 21 em 21 dias.
Na 5.a e 6.a feira tudo normal. Nenhuma reação. No sábado a tragédia. Neide acordou passando mal, vomitando, chorando , em pânico. Levei ao banheiro, ajudei no que era possível naquela situação. Tinha que manter a calma e tranquilidade. Eu era o lexotan dela. O dia foi péssimo, bem como os dias que se seguiram até a outra 5.a feira, quando os sintomas foram diminuíndo.
Qunado Neide estava recuperada, chega outra quinta feira, e o suplício reinicia.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Resultado da segunda biópsia

Enfim chegou o dia do resultado da 2.a biópsia. Recebi o resultado que confirmou o carcinoma mamário, que o quadrante e os linfonodos tinham dado negativo. Tudo dentro do esperado. Ao analisar o resultado do exame feito em SP (Imuno-Histoquímico) percebi que tinha 3 negativos no resultado. Achei maravilhoso e tranquilizei  Neide.
Dois dias depois fomos a primeira consulta com o Dr. Romildo . estávamos bem tranquilos, principalmente pelo resultado de SP. Porém era um engano monstruoso e Dr. Romildo esclareceu logo e direto. TRIPLO NEGATIVO é o pior câncer de mama e o mais perigoso, e que devido ao resultado Neide seria submetida a 8 ciclos de quimio mais agressiva que existe, devendo iniciar imediatamente o tratamento. Foi uma decepção  e muitas dúvidas apareceram. O que ia acontecer com Neide ? E a pergunta inevitável: Vai cair o cabelo ? Quando? Quais os sintomas ? Fiquei em dúvida do diagnóstico do Dr. Romildo. Eu queria ter uma desculpa para não acreditar na gravidade do tumor de Neide, e procurei Dra. Candice, na esperança dela encontrar uma outra solução. Ela confirmou tudo que o Dr. Romildo tinha dito. Não tinha outra opção. A segunda etapa da aventura de Neide ia começar

domingo, 5 de junho de 2011

A segunda cirurgia

A segunda cirurgia foi marcada para o Hospital Memorial São José. Deu um problema (Prefiro não entrar em detalhes). Eu achei bom o adiamento, pois evitava uma nova notícia ruim. Uma possível mastectomia radical.
Quatro dias depois do adiamento, chegou o momento da cirurgia no Hospital Esperança. Dr. Artur explicou os passos da cirurgia:
1) Seria retirado um quadrante no local do tumor e também a retirada de um linfonodo do braço esquerdo.
2) Eu levaria as peças cirúrgicas para análise por congelação no laboratório da Dra. Telma.
3) Caso os resultados fossem negativos, a mama seria preservada e não haveria mastectomia radical.

Na metade da cirurgia fui chamado no bloco cirúrgico para levar as peças para a biópsia. Sai com Carlinhos dirigindo direto e rápido para o laboratório.
Ao voltar para o hospital, fui chamado novamente no bloco cirúrgico para levar nova peça cirúrgica. PÂNICO TOTAL. O resultado tinha dado inconcluso. Voltei ao laboratório com a nova peça, e retornei ao hospital, esperando a ligação do Dr. Artur.
Após 1 h, Dr, Artur ligou dando a boa notícias. Todas as biópsias tinham dado negativas e a mama seria preservada. Alegria total. O câncer nem foi lembrado, o importante era não traumatizar Neide.
Dr. Artur informou que como tudo tinha dado negativo, provavelmente não seria necessária Quimioterapia. A radioterapia seria obrigatória, pois quando se preserva a mama, a radio tem de ser feita. Porém era necessário aguarda o exame IMUNO-HISTOQUÍMICO que seria feito em SP.  Só após a chegada do resultado é que iríamos para o oncologista clínico: Dr. Romildo.

Volta ao médico após a biópsia

Marcamos a volta para 2.a feira, às 14h00 com Dr. Artur Lício que tinha feito a cirurgia. Fui para Caruaru logo cedo e as 11h00 voltei para Recife. Ao chegar na Abdias de Carvalho, engarrafamento GIGANTE. Mudei de caminho, fui  pelo Bongi, Mustardinha, Estrada dos Remédios, Campo do Sport. Caos total. No consultório, Neide estava ao lado de Carlinhos e louca de raiva com meu atraso. Não adiantava dizer que era o trânsito. Ele estava virada, e Carlinhos com o resultado correto do exame no bolso. O papel caiu e Neide leu o original onde falava de CARCINOMA. Ao finalmente chegar no consultório, ela foi logo dizendo que tinha visto o exame correto e que eu ficasse tranquilo, e o que era para ser feito ela faria, pois o mais importante era ficar curada.
Ao entrar, Dr. Artur foi direto e objetivo, DIZENDO TUDO com a maior tranquilidade. Achei que Neide ia desabar, porém ela foi tranquila e forte, não deixando transparecer medo ou pânico. Foi marcada a 2.a cirurgia.

O primeiro resultado da biópsia

Chegou o dia do resultado da biópsia. Passei o dia da segunda-feira no Contato Caruaru, e cheguei em Recife às 15h00 no Laboratório de Patologia da Dra. Telma, na Ilha do Leite.  Ao abrir o resultado, o chão desapareceu, a  vista escureceu, o mundo caiu.
CONCLUSÃO :Carcinoma Mamário Invasivo.

Como dizer a Neide ? É melhor não dizer ? O que fazer ? Que atitude tomar ? Como dizer aos filhos ?
O problema não é o câncer propriamente dito, pois as chances de cura são enormes com as novas medicações disponíveis. O grande problema são as consequências do tratamento, principalmente a quimioterapia. A queda do cabelo é um aspecto terrível. Passei umas duas horas andando de carro sem destino. Liguei para Débora, Gaby e Carlinhos dando a notícia. Deu fome, fui na Mac de Piedade e fiquei refletindo. Ao chegar em casa disse a Neide que o resultado não tinha sido tão ruim, pois não tive CORAGEM de dizer a verdade. Neide, muito esperta , não acreditou e ficou questionando. Cada ligação que eu recebia, ela ficava ligada. Ela sabia que algo tinha dado errado. Tirei uma xerox do resultado, e na cópia apaguei a frase Carcinoma Mamário Invasivo, e entreguei esta cópia alterada para ela e guardei o original correto do exame para entregar ao médico.

A primeira cirurgia

A cirurgia para a retirada do tumor foi marcada para o Hospital Esperança, aqui em Recife, para as 16h00. Ao chegarmos no setor de internamento do hospital às 9h00, ficamos esperando ir para o quarto e nada de sermos chamados. Fiquei irritado e reclamei, e às 12h00 apareceu a solução. Nos colocaram em uma Suíte MARAVILHOSA, com 2 ambientes, sala de espera com TV LCD de 42pol e uma vista linda de 180 graus, e quarto reservado no interior da suíte. Foi uma alegria e um bom sinal que tudo daria certo. Fui comprar refrigerantes, salgadinhos, docinhos, e tudo necessário para uma boa hospedagem.
No horário combinado, Neide foi para a cirurgia e tuco ocorreu bem.Levei o material para biópsia . Ao voltar para o quarto, o Dr. Artur informou para termos tranquilidade e que ele achava que devido ao tamanho e a rapidez da cirurgia tudo ia ser positivo. Até aquele momento não se falava da palavra câncer.
À noite Carlinhos levou o XBOX e os colegas dele foram jogar videogame lá no quarto. Neide gostou muito, pois o ambiente ficou alegre. João Rabelo levou até uma garrafa de espumante. Gabriela ia dormir com Neide, e a meia-noite voltei para casa.

O segundo médico

Marcamos a consulta com o Dr. Artur Lício (Cirurgião Oncológico). Consulta bem tranquila onde ele fez um exame nas mamas e não sentiu o tumor. Falou que devido a precocidade em procurar tratamento para o  tumor e por ser bem pequeno, as chances de não ser maligno eram grandes e a cirurgia foi marcada.

O primeiro médico

Marcamos uma consulta no Ginecologisata (Dr. Hélio Costa, meu colega do Colégio São Luís) e quando ele analisou os exames, notei que ele também não gostou do resultado. Ele falou que o tumor era muito pequeno, porém necessitava ser investigado, principalmente por causa da forma alveolar. Informou também que a chance de ser maligno era muito remota, porém não era para esperar, e deveríamos procurar um cirurgião oncológico para retirada do tumor. Ele indicou o Dr. Artur Lício e foi uma sensação de alívio, pois ele já tinha operado Neide e é uma pessoa 100 % , e passa confiança e tranquilidade.

A descoberta de algo na mama

Estamos em setembro de 2010. Neide tinha ido fazer um exame de rotina das mamas (mamografia e ultrassonografia) e quando cheguei em casa ela mostrou os resultados dos exames e falou da presença de um nódulo menor que 1,o cm de diâmetro que só era visível na ultrassonografia. Para um leigo isso poderia ser uma coisa boa, pois aparecia em um exame e não aparecia no outro. Ao ler o laudo da ultra achei estranho a descrição do nódulo, pois falava da forma alveolar. Fui no GOOGLE (ele também serve para isso) e comecei a ver que o nódulo poderia ser maligno.Na hora reclamei com Neide, dizendo que ela tinha sido negligente e deveria ter feito exames com intervalos de tempo menores, e ela tinha feito exames em março (6 meses) e normalmente se recomenda com intervalos de 01 ano. Já era minha cabeça se preparando para o pior.

Motivo do Blog

Resolvi agora depois de 9 meses da descoberta do câncer de Neide, relatar as etapas do tratamento que ela passou e ainda não terminou, para tentar ajudar as pessoas e familiares que possam passar pelo mesmo problema. Tentarei relatar da maneira mais prática a visão de quem acompanha uma pessoa que descobre que tem câncer de mama aos 48 anos e como podemos ajudar no tratamento.